quarta-feira, 15 de julho de 2009

'CASA MAL ASSOMABRA':Nem Sarney nem Roseana declararam o imóvel à Justiça Eleitoral



* Nem Sarney nem Roseana declararam o imóvel à Justiça Eleitoral

* Uma ‘doação por procuração’ foi inventada por pai e filha para encobrir a omissão


A mansão que a família Sarney possui na praia do Calhau há mais de 30 anos “não existe”, de acordo com o que constam nas declarações de bens do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da ocupante do governo maranhense, Roseana Sarney (PMDB), à Justiça Eleitoral em 2006. Ambos esconderam o imóvel da Justiça Eleitoral.

Sarney disse à Folha de S. Paulo que não mencionou a mansão porque já havia assinado, antes das eleições, uma “procuração”, pela qual doava a casa a Roseana. Ele não apresentou à Folha nenhuma prova de que essa procuração existe. De qualquer forma, Roseana, candidata derrotada ao governo do Maranhão em 2006, deveria ter revelado a “doação” ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que não fez.

Em outro episódio, revelado na semana passada pelo jornal O Estado de S. Paulo, Sarney disse ter omitido da Justiça, “por esquecimento”, outra mansão, avaliada em R$ 4 milhões, localizada em Brasília.

Farsa desmontada – O Jornal Pequeno teve acesso a certidões do 1º Cartório de Registro de Imóveis e do Cartório do 3º Ofício de Notas que desmontam a farsa da tal “doação por procuração”.

As certidões comprovam que a doação só foi realizada, efetivamente, em 22 de julho de 2008, por meio de escritura pública formalizada no cartório do 3º Ofício Dr. José Maria Pinheiro Meireles. No dia 20 de agosto do mesmo ano, a doação foi registrada no 1º Cartório de Registro de Imóveis.

À Folha, Roseana disse que a demora de dois anos para registrar a suposta doação aconteceu devido a “uma coisa burocrática”, sem acrescentar maiores explicações. A assessoria do senador José Sarney informou que ele nem se recorda do ano exato em que assinou a procuração de doação – se em 2005 ou 2006.

No registro do cartório, o terreno – localizado na rua das Alpercatas, quadra 21, lotes unificados 08, 09, 10 e 11 – é avaliado em R$ 175 mil, valor infinitamente abaixo da média de preços dos imóveis da praia do Calhau – uma das áreas mais valorizadas de São Luís. O preço de quase todas as mansões do Calhau passa de R$ 1 milhão.

A mansão foi declarada por Sarney à Justiça Eleitoral em 1998 com valor de R$ 256,7 mil. Conforme a Folha de S. Paulo, feita a correção pelo IPCA, a residência valeria hoje R$ 531 mil. “Não sei quanto é a avaliação porque a casa não está à venda. É uma casa de mais de 30 anos, não se sabe quanto vale”, disse Roseana à Folha.

Nas duas certidões dos cartórios, há menção apenas ao terreno e não à área construída. A dimensão do imóvel é de 12.209 metros quadrados.

Seguranças pagos com dinheiro público – Apesar de ter doado a mansão do Calhau à filha Roseana, José Sarney continuou utilizando o imóvel como se fosse, efetivamente, seu real proprietário. Tanto que em março passado, quando o TSE estava julgando a cassação do governador eleito Jackson Lago (PDT), ele trouxe de Brasília sete agentes do Senado para proteger a residência de eventuais manifestantes pró-Jackson. O expediente “extra” dos agentes somou 10 dias e custou cerca de R$ 30 mil em diárias e passagens.
FONTE: JP ON LINE
Jornalista OSWALDO VIVIANE

Um comentário:

Anônimo disse...

No Senado:

http://www.youtube.com/watch?v=n7uBejqQJlc